Crianças em Psicoterapia
O atendimento de crianças em psicoterapia corporal, parte sempre de um pedido feito pelos pais, ou encarregados de educação, no qual reportam a razão pela qual procuram acompanhamento terapêutico.
O início do processo terapêutico realiza-se com uma primeira consulta com os pais, na qual conversamos sobre toda a história de vida da criança, bem como sobre as preocupações que despoletaram o pedido de ajuda. Iniciam-se então as consultas com a criança. Nas primeiras 4 sessões é realizada uma avaliação, na componente afectivo-emocional da criança, que vai nos vai ajudar a compreender a forma como a criança se sente e se vê, bem como decidir quanto à continuidade ou não do processo terapêutico. A partir desse momento, os pais serão atendidos sempre que estes, a criança ou o terapeuta considerem necessário.
A intervenção e participação dos pais e a parceria/confiança que se estabelece entre pais/criança/terapeuta são fundamentais para o sucesso do processo terapêutico.
O acompanhamento terapêutico de crianças é desenvolvido sobretudo através de jogos e trabalhos mais ou menos dirigidos, nos quais procuro proporcionar à criança, um espaço de expressão livre das suas fantasias e sentimentos, a partir dos quais emerge, quase como consequência espontânea, o conflito latente.
Segundo Violet Oaklander, a fantasia é o seu campo de acção e a expressão afectiva o seu guia terapêutico. Ambos conduzem sempre à possibilidade de a criança exprimir em palavras, aquilo que antes não tinha nome nem lugar.
Estou especialmente dedicada ao atendimento de crianças com Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção, um distúrbio muito comum nos dias que correm, mas que infelizmente tem sido indevidamente diagnosticado a muitas crianças e jovens, com claro abuso na prescrição de psicofármacos, dos quais são desconhecidos os efeitos secundários de médio e longo prazo.
Olho para a hiperactividade e défice de atenção como um mecanismo de defesa, que mostra que algo não vai bem com aquela criança e é preciso procurar chegar às causas mais profundas que promovem aquele comportamento, muito antes de decidir por qualquer tipo de medicação que apenas trabalha para aliviar os sintomas que são demonstrados. Não quero com isto dizer que sou contra a medicação, apenas que ela só deve ser utilizada quando verdadeiramente necessária e isso depende de inúmeras circunstâncias, que devem ser avaliadas em cada criança em particular e em cada agregado familiar.

